



Não se pode analisar o rock a partir dos mesmos parâmetros que servem ao resto da música ocidental por uma questão de diretriz. Nenhum outro estilo musical é apto a se desdobrar para expressar, com a devida urgência, uma necessidade de mudança. Nenhum outro estilo serve ao presente imediato e carrega a responsabilidade de mudar o futuro próximo quanto o Rock, desde os tempos em que Chuck Berry era barrado nos clubes porque era negro. Aquela realidade, traduzida daquela forma, carregando aquele conteúdo, adquiria um poder de identificação com um alcance que marcaria um momento histórico: a América conservadora, contestada dentro da própria casa, nunca mais teria uma noite de descanso.
Esse atributo maior que o rock carrega, e que se perde quando não mais útil, é único e existe como combustível da reação a tudo que oprime, invade, sufoca e normatiza, quer isso parta de um segmento político, de um dogma religioso ou do seu próprio espelho.
O Matanza, com “Odiosa Natureza Humana”, ordena auto-crítica ao demonstrar, através da crônica, um perfil feio e sujo do ser humano que revela-se comum à todos, ainda que isso extrapole o aceitável pela grande maioria.
